terça-feira, 14 de agosto de 2012

Jogos Olímpicos Londres 2012 - Portugal, portugueses e o futuro

Terminados os jogos da 30ª olimpíada entramos no famoso período de análise do desporto português, onde se debatem os temas de sempre, chegando-se inevitavelmente às conclusões de sempre. Assim resta-me colocar em palavras, para possível memória futura, alguns momentos, reflexões e opiniões para que daqui a 4 anos possa ter uma base de comparação para os jogos olímpicos do Rio de Janeiro.

Começando pelos aspectos negativos (para que possa terminar com o que realmente vale a pena) gostaria de salientar a forma como, salvo algumas excepções, a comunicação social portuguesa fez a cobertura destes JO.

Visto aqui.

Olhando para as capas dos jornais do dia seguinte à cerimónia de abertura destes JO podemos facilmente compreender o que representa a palavra 'desporto' para o jornalismo português. Ora, se quem devia ter por obrigação dar o devido destaque ao início do maior evento desportivo do mundo não o faz, como queremos que um país siga com a atenção merecida os atletas que lá estiveram a representar o país?
Tivemos 80 horas de transmissão diária por parte da RTP, que abriu inclusivamente um canal pago para emitir 24 horas por dia exclusivamente competições integradas no programa olímpico. Então mas e isto: Canal RTP Olímpicos na TDT ? Sei que estamos em 2012 e já grande parte da população tem acesso à televisão paga, mas como é que se inspira uma geração em Portugal, tal como sugere o lema destes JO?

Isto para não falar do grande desconhecimento ou, pelo menos, falta de trabalho de casa, por parte de apresentadores de programas de televisão dedicados aos JO, onde as modalidades dos atletas são trocadas, os atletas ganham novos nomes ou, se tudo isto acabar por não acontecer, a notícia é dada de uma forma negativa. (Felizmente há excepções e por isso leiam até ao fim)
Exemplo: Sara Moreira termina em 14º e falha objectivo
Sara Moreira fez o seu melhor tempo pessoal! Não deveria ser esse o destaque da notícia, havendo um 'no entanto' para o facto de ter falhado o objectivo top10?

Quando se fala em falta de preparação ou experiência dos nossos atletas não seria melhor falar antes em falta de preparação ou experiência dos nossos jornalistas para o desporto não-futebol?
Todos os atletas que foram aos JO conseguiram o apuramento por mérito próprio, cumprido mínimos ou alcançando lugares de qualificação. Quando se fala em atletas que vão passear, quantos deles não puderam passear durante 4 anos para conseguirem chegar a esses resultados? Apostamos apenas em meia-dúzia de atletas? Numa só modalidade? Se os portugueses querem apostar em futebol alguém explica o porquê do futebol não conseguir lá estar?

Mas passemos ao lado positivo desta edição dos jogos.
Antes de partir para o inevitável que é enaltecer a medalha alcançada pelos canoístas portugueses Emanuel Silva e Fernando Pimenta fica um resumo das classificações dos atletas portugueses:

Classificações dos atletas portugueses nos Jogos Olímpicos de Londres 2012

O destaque:


Por 53 milésimos que não alcançaram a primeira medalha de ouro para Portugal noutra modalidade que não o atletismo.
E que felizmente conseguiu arrancar as primeiras páginas dos jornais portugueses:



De entre muitas histórias que surgem no decorrer de uns jogos, o caso de Clarisse Cruz, por ser portuguesa foi a que mais me inspirou.
A história dela é esta: LINK
Na dita qualificação acabou ultrapassada pela espanhola na recta final mas chegou à final da prova por repescagem com um tempo que bateu em 10 segundos o anterior recorde nacional. 10 segundos! Uma final inédita para Portugal. Já na final ficou em 11º e não voltou a bater o recorde, mas aquele 11º foi ou não uma vitória?

A todos os outros atletas portugueses quero deixar aqui o meu obrigado. Obrigado por carregarem neles as esperanças de todos os que já fizeram desporto de competição. O de lá estar, o de participar, o de viver os Jogos e dar o máximo na sua prova, naquele dia, levando ao peito a nossa bandeira, pois independentemente daquilo que se possa dizer depois da prova acabar só quem participou de bandeira portuguesa ao peito sabe o que isso realmente representa.
Sei que isto acaba por ser insignificante face aquilo que realmente precisamos no desporto em Portugal, mas pelo menos eu já fiz a minha parte.

Para terminar cito João Pedro Mendonça, jornalista da RTP, que durante a prova de triatlo masculino disse o que a seguir cito, num claro exemplo de que os bons profissionais existem, só é preciso que tenham cultura desportiva para olhar para o desporto, não só para aquilo que movimenta milhões, mas também para o que realmente nos deve, ou deveria, orgulhar.
"O que de bom tem os JO não são só as medalhas ou os recordes do mundo... é ver a qualidade do desempenho, o empenho sobretudo e a forma como todos se entregam à luta."

"Em Portugal mais facilmente se discutem, quase sempre as medalhas e o ouro e os diplomas e mais facilmente se transporta a frustração do dia-a-dia para os resultados desportivos (...) na forma como quase todos os atletas de praticamente todas as modalidades são ostracizados."

"Parabéns a todos os que dão tudo. Sejam últimos ou não. Pergunto eu: não merece o mesmo aplauso o último da maratona (...) como o primeiro?"

Agora acabem lá com as reflexões pós-JO, defina-se 'desporto' em Portugal e mãos ao trabalho que 2016 está já aí.
E porque as imagens valem mais que mil palavras, o meu desejo é que a imagens como a 39 possam ter maior destaque: London 2012 Olympics: Winning moments 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Jogos Olímpicos de Londres 2012

Começam hoje o maior evento e, para mim, mais importante evento desportivo do mundo.
2 semanas colado à televisão e ao computador a seguir cada respiração de cada atleta, principalmente dos portugueses, que vou seguir com entusiasmo redobrado esperando que possam alcançar um dos 3 lugares mais desejados, tarefa difícil, mas para os quais à partida todos partem em igualdade.

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Let the Games begin!

sábado, 9 de junho de 2012

Mais e melhor desporto em Portugal

Pura coincidência o facto de estar a escrever esta entrada no blog enquanto começa o Portugal-Alemanha. Em jeito de reflexão sobre o estado do desporto português, vale a pena ler a pensar um bocadinho... 

http://www.record.xl.pt/opiniao/opiniao_euro2012/interior.aspx?content_id=760578

De qualquer maneira, boa sorte.

sábado, 5 de maio de 2012

Anthony Bourdain: No Reservations - Lisboa

A passagem de Anthony Bourdain por Lisboa para mais um episódio da série No Reservations deixou-me com uma fome tal que não resisti a fazer aqui uma pequena nota sobre o episódio.

Ainda que a ementa do episódio seja como uma bomba atómica para as análises sanguíneas de um indivíduo que faça da sua dieta o que Bourdain veio cá experimentar, não haja dúvida que aquilo que os chefs que o acompanharam em Lisboa (Henrique Sá Pessoa, José Avillez e Ljubomir Stanisic) o levaram ou deram a provar é do melhor que a cozinha portuguesa tem para dar.
Sim, é pena não ter vindo em época de sardinha assada e salada de pimento, mas como os primeiros minutos do vídeo que deixo em baixo mostram provou bom marisco e rematou tudo com um prego, que sei bem que dá 15 a 0 a qualquer prato de alta cozinha.

Uma vez que a série legendada em português só deve passar algures no cabo daqui a 6 meses-1ano fica aqui um link para um vídeo que resume em 5 minutos a vinda a Lisboa do conhecido chef.

http://www.travelchannel.com/video/relive-lisbon-with-tony

Última nota para a banda sonora do episódio: Dead Combo, banda que lançou recentemente um novo álbum e na qual fiquei viciado. Excelente som de fundo para estudar/trabalhar/viajar/dormir.

P.S. humorístico: O barbeiro de um colega meu aparece aos 03:50.


terça-feira, 3 de abril de 2012

Campeonato Universitário Pentatlo Moderno 2012 - Revisão

Depois de mais uma prova no passado domingo, e quando as dores musculares começam levemente a largar o corpo, chegou a hora de escrever algo sobre a experiência para que na próxima vez possa reler e mentalizar-me para novo desafio pentatletico.

Piscina olímpica do estádio universitário, 8h da manhã, e a sensação de ter o pequeno almoço a balouçar no estômago aquando das primeiras braçadas do aquecimento voltou a inundar-me o corpo. Engraçado voltar a sentir exactamente o mesmo de há tantos anos atrás quando o dia se limitava a 50m de natação e 1km de corrida. Tudo correu bem durante o aquecimento, o corpo deslizava, a técnica de natação estava no sítio e depois de um aperto na fita dos óculos vieram os 200m a sério.
Os primeiros 100m da prova foram relativamente fáceis mas o terror estava à distância de uma viragem. Sempre com os 3 minutos como objectivo, estava mentalizado para o facto de a 2ª parte da prova vir a custar o triplo da primeira, já que os ombros passaram a ser usados para transportar a mochila e os braços começaram rapidamente a pedir para parar com aquele massacre. Os últimos 50m então pareceram uma eternidade... As pernas batiam, os braços rodavam mas o corpo parecia estar parado. Chegado ao fim, depois de grande esforço e de recuperar o fôlego os 2 minutos e 56 segundos fizeram da natação uma missão cumprida.

Fazendo a transição para a esgrima, foi tal como esperava a parte mais fácil do dia. Apesar de muitos toques perdidos por falta de rapidez nas acções, a cabeça lia com facilidade os movimentos do adversário mas a velocidade com que os dedos, braço, pernas e resto do corpo se mexia de acordo com o pensado estava com um atraso monumental, simples falta de tempo na pista. Um ou outro bom toque sim, mas com muito toque fácil perdido por falta de coordenação cabeça-corpo. Resumindo, muita diversão e uma sensação de querer voltar rapidamente à pista e ouvir o "em guarda - prontos? - começar!"

Para finalizar o dia veio o combinado de tiro e corrida. Apesar de, tal como tenho ideia de já ter escrito antes, sentir falta do tiro de precisão para um alvo de 0 a 10 pontos, reconheço que o novo formato traz muitíssima mais animação para quem está de fora.
No tiro as séries de 5 alvos voltaram a ser, tal como no ano passado, feitas ao contrário ao que seria de esperar, ou seja, a mais lenta a primeira, a mais rápida a última. Razão? Nervoso, ansiedade, mentalização para atirar com o coração a 1000 à hora? Acho que não há razões.
As três voltas de 1km incluíam um pequeno troço de alcatrão, seguido de uma parte de relva e por fim tartan, tudo plano, o que ajudou a não agravar em demasia o tempo de corrida que deve ter rondado os 4'30 por quilómetro, não grande coisa para uma corrida de 3km mas que seria espectacular para corridas mais extensas.

Como é de notar os objectivos passavam maioritariamente por chegar ao fim de cada prova e consequentemente ao fim de um dia esgotante.
Agora há que aproveitar o embalo e treinar um pouco que o verão está ao virar da esquina.

Até à próxima

quinta-feira, 29 de março de 2012

Campeonato Universitário Pentatlo Moderno 2012

Mais uma vez, e partindo já para a minha 3ª participação, vou estar domingo no Estádio Universitário de Lisboa para completar mais uma prova de pentatlo moderno.
Começo o post desta maneira pois é esse realmente o único objectivo: completar.

Como infelizmente já vem sendo hábito o treino não foi muito: os testes já começaram, houve um projecto para entregar e o horário deste semestre não ajuda muito. Para além disso a corrida da passada 3ª feira deixou-me completamente de rastos.
Sim, ainda há aqui músculos doridos apesar dos alongamentos, na verdade acho que isto só passa mesmo com mais uma corrida, e outra, e outra... Uma excelente opção para as férias da Páscoa aliás :)

Voltando atrás um ano, lendo o post referente ao Universitário de 2011 e sendo realista, os objectivos não podem mudar muito. Os 3 minutos na natação são uma meta atingível e na esgrima é partir para cada jogo sabendo que estamos na parte fácil do dia. Por fim a corrida será o maior obstáculo físico e mental pois o estado da vida não mudou muito desde há um ano, ou seja, o tempo para dedicar ao treino não tem sido muito. Em Janeiro e Fevereiro, em época de exames, as corridas ainda foram mantidas em regime de dia-sim-dia-não, a maneira como se gere o tempo é totalmente diferente das aulas e portanto houve tempo para uns treinos suaves.

Domingo o importante é chegar ao fim, matar saudades da competição e voltar a sentir que é preciso voltar a treinar o mais cedo possível depois de terminado o dia.

Como nunca é demais desejá-lo, boa sorte!