sábado, 27 de outubro de 2012

Lance Armstrong - Herói ou vilão?

Sou um adepto de ciclismo. Mais que isso sou adepto do esforço, dedicação e sofrimento que vejo nas caras dos que correm na estrada. Dos ciclistas que sobem montanhas, dos que sprintam, dos que não desistem de uma fuga e daqueles que ninguém conhece mas que são essenciais aos que estão melhor para tentar vitórias.
Não sou fã de mentiras, muito menos do doping e sou a favor duma quase tolerância zero para esses casos.
Já muito foi escrito sobre este tema, pricipalmente nos últimos tempos, com a  confirmação por parte da UCI da condenação da USADA, que acusou Armstrong e alguns dos elementos que faziam parte da extinta equipa de ciclismo US Postal do mais "sofisticado , profissional e eficaz esquema de dopagem no desporto".

O caso é complexo. Mesmo tendo lido notícias sobre o caso em diversas fontes e programas de televisão (destaque para o 60 Minutes da televisão americana CBS), o que pode ser afirmado com total certeza é que vários ex-colegas de equipa acusaram o hepta-campeão do Tour de encabeçar um programa de uso de substâncias ilegais bem como de auto-transfusões de sangue, conseguindo contornar os controlos anti-doping, pelos quais todos passaram, e no caso de Lance nunca controlou positivo.

A comunicação social portuguesa óbviamente que fez da notícia destaque de telejornal, que o deve ser sim, mas que para não variar não o é quando um ciclista ou outro qualquer desportista conquista uma classificação de relevo. Porquê continuar a transmitir à opinião pública esta ideia de que ninguém corre completamente 'limpo' no ciclismo?

Mas, e agora?
Num desporto que tem a sorte de ter patrocínio de marcas que investem milhões (a grande maioria com retornos consideráveis) poderá um caso destes abalar a credibilidade do mesmo? Ou terá sido isto o fim da caça aos que continuavam a denegrir a imagem que o ciclismo quer passar como o mais controlado de todos?
Certo parece ser o fim do patrocínio do banco holandês Rabobank à sua equipa profissional (já mítica e com muitos anos de tradição) tendo já em conta este caso.

Terminado que está este caso porque não aproveitar a 100ª edição do Tour para limpar de vez a má imagem que este caso deixa na opinião pública?

Quanto a Lance, para mim, jamais deixará de ser o campeão que é. Esta é uma fase difícil, as suas palavras comprovam-no: "Já estive melhor, mas também já estive pior".
O que guardo da carreira dele na estrada são os triunfos e, para todos os efeitos, nunca controlou positivo em nenhum teste anti-doping.



Keep living strong!

sábado, 22 de setembro de 2012

5 Ondas 5 Continentes

Apesar de seguir o blog do surfista basco Kepa Acero há pouco tempo este projeto cativou-me não só pela aventura que representa como pela vontade que o motiva: conhecer realmente os sítios onde se vai.

Tal como Kepa diz numa das partes do documentário a pior parte para quem viaja afim de participar em eventos desportivos é o facto de na maioria das vezes chegar na véspera da prova, ir o mais rapidamente possível descansar da viagem, fazer a prova e no dia seguinte apanhar o avião de volta a casa.

O desafio é simples de explicar no papel mas só vendo os episódios é que entendemos a dimensão da aventura.
Fica a sugestão para os fins de semana de chuva que hão de chegar.

Este é o primeiro vídeo, os outros estão na lista em baixo

http://www.rtve.es/alacarta/videos/cinco-olas-cinco-continentes/cinco-olas-cinco-continentes-namibia-africa/1488025/

Blog de Kepa Acero

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Jogos Olímpicos Londres 2012 - Prestação de Portugal em números

Finalmente é feita uma análise da missão olímpica portuguesa confrontando os objectivos previstos no contrato programa celebrado entre o COP e o IDP.

Vale a pena uma leitura: "Avaliação da prestação de Portugal nos Jogos Olímpicos de Londres 2012" de Alfredo Silva in Diário de Notícias

Não quero acabar esta entrada no blog sem destacar a conclusão do artigo acima linkado:

(1)valorizar publicamente a dedicação, o esforço e a perseverança evidenciadas pelos atletas portugueses para dignificar o seu desempenho, a sua modalidade e nome do seu país, Portugal;
(2) discutir e aperfeiçoar a base dos sistemas/políticas de deteção e preparação dos praticantes desportivos portugueses para a obtenção dos mais elevados resultados desportivos no plano internacional;
(3) um desígnio nacional, uma liderança forte e um objetivo comum capaz de mobilizar a motivação e a superação de todos. Lembram-se do que faltou à nossa comitiva em Pequim 2008? A história repetiu-se em Londres 2012?

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Jogos Olímpicos Londres 2012 - Portugal, portugueses e o futuro

Terminados os jogos da 30ª olimpíada entramos no famoso período de análise do desporto português, onde se debatem os temas de sempre, chegando-se inevitavelmente às conclusões de sempre. Assim resta-me colocar em palavras, para possível memória futura, alguns momentos, reflexões e opiniões para que daqui a 4 anos possa ter uma base de comparação para os jogos olímpicos do Rio de Janeiro.

Começando pelos aspectos negativos (para que possa terminar com o que realmente vale a pena) gostaria de salientar a forma como, salvo algumas excepções, a comunicação social portuguesa fez a cobertura destes JO.

Visto aqui.

Olhando para as capas dos jornais do dia seguinte à cerimónia de abertura destes JO podemos facilmente compreender o que representa a palavra 'desporto' para o jornalismo português. Ora, se quem devia ter por obrigação dar o devido destaque ao início do maior evento desportivo do mundo não o faz, como queremos que um país siga com a atenção merecida os atletas que lá estiveram a representar o país?
Tivemos 80 horas de transmissão diária por parte da RTP, que abriu inclusivamente um canal pago para emitir 24 horas por dia exclusivamente competições integradas no programa olímpico. Então mas e isto: Canal RTP Olímpicos na TDT ? Sei que estamos em 2012 e já grande parte da população tem acesso à televisão paga, mas como é que se inspira uma geração em Portugal, tal como sugere o lema destes JO?

Isto para não falar do grande desconhecimento ou, pelo menos, falta de trabalho de casa, por parte de apresentadores de programas de televisão dedicados aos JO, onde as modalidades dos atletas são trocadas, os atletas ganham novos nomes ou, se tudo isto acabar por não acontecer, a notícia é dada de uma forma negativa. (Felizmente há excepções e por isso leiam até ao fim)
Exemplo: Sara Moreira termina em 14º e falha objectivo
Sara Moreira fez o seu melhor tempo pessoal! Não deveria ser esse o destaque da notícia, havendo um 'no entanto' para o facto de ter falhado o objectivo top10?

Quando se fala em falta de preparação ou experiência dos nossos atletas não seria melhor falar antes em falta de preparação ou experiência dos nossos jornalistas para o desporto não-futebol?
Todos os atletas que foram aos JO conseguiram o apuramento por mérito próprio, cumprido mínimos ou alcançando lugares de qualificação. Quando se fala em atletas que vão passear, quantos deles não puderam passear durante 4 anos para conseguirem chegar a esses resultados? Apostamos apenas em meia-dúzia de atletas? Numa só modalidade? Se os portugueses querem apostar em futebol alguém explica o porquê do futebol não conseguir lá estar?

Mas passemos ao lado positivo desta edição dos jogos.
Antes de partir para o inevitável que é enaltecer a medalha alcançada pelos canoístas portugueses Emanuel Silva e Fernando Pimenta fica um resumo das classificações dos atletas portugueses:

Classificações dos atletas portugueses nos Jogos Olímpicos de Londres 2012

O destaque:


Por 53 milésimos que não alcançaram a primeira medalha de ouro para Portugal noutra modalidade que não o atletismo.
E que felizmente conseguiu arrancar as primeiras páginas dos jornais portugueses:



De entre muitas histórias que surgem no decorrer de uns jogos, o caso de Clarisse Cruz, por ser portuguesa foi a que mais me inspirou.
A história dela é esta: LINK
Na dita qualificação acabou ultrapassada pela espanhola na recta final mas chegou à final da prova por repescagem com um tempo que bateu em 10 segundos o anterior recorde nacional. 10 segundos! Uma final inédita para Portugal. Já na final ficou em 11º e não voltou a bater o recorde, mas aquele 11º foi ou não uma vitória?

A todos os outros atletas portugueses quero deixar aqui o meu obrigado. Obrigado por carregarem neles as esperanças de todos os que já fizeram desporto de competição. O de lá estar, o de participar, o de viver os Jogos e dar o máximo na sua prova, naquele dia, levando ao peito a nossa bandeira, pois independentemente daquilo que se possa dizer depois da prova acabar só quem participou de bandeira portuguesa ao peito sabe o que isso realmente representa.
Sei que isto acaba por ser insignificante face aquilo que realmente precisamos no desporto em Portugal, mas pelo menos eu já fiz a minha parte.

Para terminar cito João Pedro Mendonça, jornalista da RTP, que durante a prova de triatlo masculino disse o que a seguir cito, num claro exemplo de que os bons profissionais existem, só é preciso que tenham cultura desportiva para olhar para o desporto, não só para aquilo que movimenta milhões, mas também para o que realmente nos deve, ou deveria, orgulhar.
"O que de bom tem os JO não são só as medalhas ou os recordes do mundo... é ver a qualidade do desempenho, o empenho sobretudo e a forma como todos se entregam à luta."

"Em Portugal mais facilmente se discutem, quase sempre as medalhas e o ouro e os diplomas e mais facilmente se transporta a frustração do dia-a-dia para os resultados desportivos (...) na forma como quase todos os atletas de praticamente todas as modalidades são ostracizados."

"Parabéns a todos os que dão tudo. Sejam últimos ou não. Pergunto eu: não merece o mesmo aplauso o último da maratona (...) como o primeiro?"

Agora acabem lá com as reflexões pós-JO, defina-se 'desporto' em Portugal e mãos ao trabalho que 2016 está já aí.
E porque as imagens valem mais que mil palavras, o meu desejo é que a imagens como a 39 possam ter maior destaque: London 2012 Olympics: Winning moments 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Jogos Olímpicos de Londres 2012

Começam hoje o maior evento e, para mim, mais importante evento desportivo do mundo.
2 semanas colado à televisão e ao computador a seguir cada respiração de cada atleta, principalmente dos portugueses, que vou seguir com entusiasmo redobrado esperando que possam alcançar um dos 3 lugares mais desejados, tarefa difícil, mas para os quais à partida todos partem em igualdade.

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Portugueses em competição em cada dia




Let the Games begin!

sábado, 9 de junho de 2012

Mais e melhor desporto em Portugal

Pura coincidência o facto de estar a escrever esta entrada no blog enquanto começa o Portugal-Alemanha. Em jeito de reflexão sobre o estado do desporto português, vale a pena ler a pensar um bocadinho... 

http://www.record.xl.pt/opiniao/opiniao_euro2012/interior.aspx?content_id=760578

De qualquer maneira, boa sorte.